sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

MARQUETEIRO JOÃO SANTANA, MULHER E MAIS 4 SÃO CONDENADOS NA LAVA JATO

Brasil-Policia.
João Santana e Monica Moura deixam carceragem da Polícia Federal em Curitiba, nesta segunda-feira (1º) (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)
O juiz federal Sérgio Moro condenou o marqueteiro João Santana, a mulher dele em um processo da 23ª fase da Lava Jato por lavagem de dinheiro e os absolveu do crime de corrupção. Outros quatro réus também foram condenados por crimes como corrupção ativa e passiva e organização criminosa. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (2).
João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, foram alvos da Operação Lava Jato, pela primeira vez, na 23ª fase, deflagrada em fevereiro de 2016. Esta etapa recebeu o nome de Acarajé, que era como os suspeitos se referiam ao dinheiro irregular, de acordo com a Polícia Federal (PF).
A lavagem encobriu a utilização de produto de corrupção para remuneração de serviços eleitorais, com afetação da integridade do processo político democrático"
Sérgio Moro, juiz
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De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), parte da propina paga a partir do esquema de corrupção existente na Petrobras foi destinada ao Partido dos Trabalhadores (PT) para pagar serviços eleitorais.
João Santana foi marqueteiro nas campanhas presidenciais dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
"A lavagem encobriu a utilização de produto de corrupção para remuneração de serviços eleitorais, com afetação da integridade do processo político democrático, o que reputo especialmente reprovável. Talvez seja essa, mais do que o enriquecimento ilícito dos agentes públicos, o elemento mais reprovável do esquema criminoso da Petrobrás, a contaminação da esfera política pela influência do crime, com prejuízos ao processo político democrático", afirmou Moro na sentença.
Na decisão, o magistrado ainda citou que o marqueteiro e a mulher dele confessaram em juízo as transferências, o contato com Zwi Skornick e João Vaccari e também os artifícios para ocultação e dissimulação das transferências como a utilização de conta off-shore no exterior e a simulação de contrato de prestação de serviços para conferir aparência lícita às transferências.
Veja quem são os condenados, crimes e penas
- João Cerqueira de Santana Filho - marqueteiro: 8 anos e quatro meses, lavagem de dinheiro
- Mônica Regina Cunha Moura - mulher de João Santana: 8 anos e quatro meses, lavagem de dinheiro
- Zwi Skornicki - operador: 15 anos, 6 meses e 20 dias, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, e organização criminosa
- João Vaccari Neto - ex-tesoureiro do PT: 10 anos, corrupção passiva
- João Carlos de Medeiros Ferraz - ex-diretor da Sete Brasil: 8 anos e 10 meses, corrupção passiva e organização criminosa.
- Eduardo Costa Vaz Musa - ex-gerente da Petrobras: 8 anos e 10 meses, corrupção passiva e organização criminosa.
Zwi Skornicki, Eduardo Musa e João Vaccari Neto foram absolvidos do crime de lavagem de dinheiro; João Santana e Mônica Moura foram absolvidos do crime do crime de corrupção passiva.
Da lista dos condenados, três são colaboradores operação: Skornicki, Ferraz e Musa. Por este motivo, têm a pena reduzida.
Moro também determinou um novo mandado de prisão preventiva contra João Vacari Neto.
O ex-tesoureiro do PT já está preso no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com o juiz, ele não poderá recorrer em liberdade, caso consiga revogar a prisão anterior. Os demais condenados poderão recorrer em liberdade.
Bloqueios e reparação de dano
A Justiça Federal decretou o bloqueio do patrimônio do casal até o montante de US$ 4,5 milhões. "Considerando que a vantagem indevida recebida por Mônica Regina Cunha Moura e João Cerqueira de Santana Filho foi depositada em conta no exterior, tornando díficil a recuperação dos valores".
Quanto à reparação dos danos decorrentes do crime, o juiz Sérgio Moro se ateve ao valor de US$ 30,4 milhões porque, de acordo com ele, não está claro o valor de propina pago a partir dos contratos suspeitos na Petrobras e na Sete Brasil.
“Não estando clara a parte paga, é inviável considerar o montante pactuado para a indenização, restringindo este Juízo o valor mínimo aos referidos USD 30.418.622,23, sem prejuízo de liquidação dos danos superiores”.


Fonte: G1 PR
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