quarta-feira, 17 de maio de 2017

UM ANO DE GOVERNO TEMER: REFORMAS, TRAIÇÕES E UM PEQUENO AVANÇO NA ÁREA ECONÔMICA

Brasil-Politica.
Doze de maio de 2016 foi o dia em que, após o Senado aprovar a admissibilidade do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, Michel Temer assumiu a presidência. Um ano depois, Temer ocupa o posto de forma definitiva e tenta implementar uma série de reformas com o objetivo de tirar a economia brasileira do buraco. A inflação voltou a rondar o centro da meta, os indicadores de confiança começam a melhorar e a expectativa é de que a economia volte a crescer este ano – ainda que a uma taxa reduzida. Por outro lado, o presidente vem perdendo apoio no Congresso, a crise persiste, o desemprego bateu nos 14 milhões e o déficit das contas públicas só cresce.

O país continua no buraco ou está a meio caminho de sair dele. Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, defende que a situação é bem melhor agora do que era um ano antes. “É importante lembrar que há um ano, a discussão no mercado era sobre o risco de uma espiral inflacionária e risco de calote. O mercado chegou a precificar inflação de dois dígitos até 2018, dólar a R$ 6”, lembra. Apesar da baixa popularidade, ela diz que o governo atual está promovendo uma reestruturação importante e, principalmente, correta da economia.

Samuel Pessôa, professor da FGV, concorda. “A economia está dentro do que se poderia imaginar há um ano”, afirma. A lenta recuperação já estava no cenário. “Diferentemente das outras crises do passado, o setor real da economia está muito machucado, o que explica porque a retomada é mais lenta”.

A questão é que mesmo antecipando uma recuperação lenta, com possíveis reveses, o governo Temer optou por promover uma agenda de reformas, que muitos economistas apontam como decisão equivocada. Para o economista e professor da UNB José Luiz da Costa Oreiro, o governo deveria ter focado na recuperação mais rápida da economia. “Já era para economia estar dando sinais de recuperação, e essa demora enfraquece muito o governo. Os sinais que temos hoje são ambíguos, alguns indicadores apresentam melhora, outros apresentam piora. E o desemprego vai continuar subindo ao longo dos próximos meses”, diz. Como consequência, isso acaba por fortalecer o discurso daqueles que não querem reformas, afirma.


De fato, as notícias ainda são ambíguas. Um dos índices que mais preocupa é o desemprego, que continua sua escalada. Sem uma melhora no mercado de trabalho – ou pelo menos uma estabilização – a economia brasileira dificilmente terá uma recuperação sustentada, já que o consumo das famílias é uma componente importante do PIB (R$ 1,042 trilhão em 2016, ante total de R$ 1,63 trilhão). Para o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, os sinais são de que a crise está terminando, “a economia vai voltar a crescer, mas vai voltar a crescer muito pouco. O Brasil vai continuar ficando para trás”.