sexta-feira, 16 de junho de 2017

NÚMERO DE PEDIDOS DE REFÚGIO DE VENEZUELANOS EM 2017 JÁ É MAIS QUE O DOBRO QUE O DE 2016 EM RORAIMA

BR-Geral.
Número de pedidos de refúgio de venezuelanos em 2017 já é mais que o dobro que o de 2016 em Roraima
Venezuelanos ganham pães doados para abrigo que funciona na capital há sete meses (Foto: Emily Costa/G1 RR)
Fonte G1.
De janeiro a junho deste ano a Polícia Federal em Roraima recebeu 3.500 solicitações de refúgio de venezuelanos a mais do que todo o ano de 2016.
Abrigo na capital recebe centenas de venezuelanos fugidos da crise que assola o país (Foto: Emily Costa/G1 RR)
Em 2014 foram apenas nove solicitações de refúgio feitas por venezuelanos no estado. Já em 2015 esse número cresceu para 230 e chegou a exatos 2.230 em 2016.
O Ministério da Justiça também aponta um aumento sensível no número de pedidos de refúgio de venezuelanos em todo o Brasil. Só até maio deste ano, a quantidade de solicitações já tinha dobrado, totalizando 8.231 solicitações. Durante os 12 meses de 2016 foram 3.375 pedidos.

O G1 solicitou o total de pedidos e de solicitações de residência temporária feitas em todo o país até o dia 13 deste mês, mas a PF informou que apenas o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) poderia fornecer tais dados. A reportagem não obteve retorno do Conare.
O pedido de refúgio é o caminho mais rápido e seguro para legalizar a situação no Brasil, mas depende de análise do Conare, o que costuma levar algum tempo. Prova disso é que até agora, apenas cinco solicitações de refúgio de cidadãos venezuelanos feitas em Roraima já receberam algum tipo de resposta.
Já o governo do estado, em levantamento próprio, afirma que 30 mil venezuelanos entraram em Roraima desde 2016.
Pedidos de residência temporária
Pintor venezuelano deixou mulher e filhos para tentar a vida em Roraima (Foto: Emily Costa/G1 RR)
De acordo com a Polícia Federal em Roraima, em três meses também foram recebidas 124 solicitações de venezuelanos que desejam obter residência temporária no Brasil.
Esta modalidade de permanência foi oficializada em março deste ano pelo governo federal. Ela é destinada a cidadãos de países que não integram o Mercosul, mas fazem fronteira com o Brasil. A medida permite que os estrangeiros obtenham residência temporária de até dois anos, desde que entrem no país por via terrestre.
'Números correspondem à realidade', avalia especialista
Venezuelanos índios da etnia Warao em abrigo na capital Boa Vista (Foto: Emily Costa/G1 RR)
Para o professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e especialista em questões fronteiriças, João Carlos Jarochinski, os números de pedidos de refúgio somados às solicitações de residência temporária recebidos pela PF refletem índices reais de migrantes.
“Obviamente, há pessoas que entraram irregularmente no Brasil, mas eu particularmente não acho que os irregulares sejam muitos, até porque eles têm feito o pedido de refúgio para fins de obtenção de documentação e acesso aos serviços de saúde, por exemplo”, explica.
No entendimento dele, no entanto, a quantidade de venezuelanos buscando refúgio em Roraima é pequena se levado em consideração o número de pessoas que têm deixado a Venezuela nos últimos meses e grande se pensada na perspectiva local.
"Para a média histórica de Roraima o número de venezuelanos vindo para o estado é grande, mas se pensarmos na realidade nacional ou mundial, não é um número absurdo", afirma.