domingo, 3 de março de 2019

O DIA QUE A HOMOFOBIA MATOU 15 PESSOAS EM SÃO GONÇALO DO AMARANTE


RN-POLICIAL.
No dia 21 de maio de 1997, as terras do bairro de Santo Antônio dos Barreiros, hoje Santo Antônio do Potengi no município de São Gonçalo do Amarante, tradicional pela qualidade do seu barro, foi encharcada com o sangue das vítimas do implacável assassino Genildo Ferreira de França, ex-militar que na época tinha 27 anos de idade.

Nascido em cidade pequena, Genildo, que também era conhecido como Neguinho de Zé Ferreira, era querido por todos na cidade, ninguém esperava qualquer tipo de violência dele. Um amigo de trabalho não hesita em falar “Neguinho num matava nem uma borboleta”. Tanto que hoje muitos se referem a duas pessoas, o Genildo do dia 21 de maio e o Neguinho que as pessoas conheciam desde infância. Existem pessoas na cidade, que até hoje defendem a tese que o serial killer estivesse possuído por alguma entidade demoníaca, pois aquelas atitudes não eram em nada compatíveis com a sua personalidade.

Para contar essa história, a gente precisa voltar ao ano de 1995, quando Genildo assistiu o filho ser atropelado. O motorista do carro relata ter visto um vulto e ao colidir achou que teria sido um animal, a criança ficou presa com o braço no papo de fogo do veículo, o que agravou ainda mais o acidente e fez com que o garoto morresse, mesmo o motorista prestando socorro após perceber que tinha atropelado a criança. A justiça julgou que o motorista não teve responsabilidade no acidente. A morte do filho abalou drasticamente Neguinho, que desde então nunca mais foi o mesmo.

Ainda em 1995, ele se separou durante um mês da sua esposa Mônica, que durante o período inventou uma história que teria flagrado Neguinho na cama com um outro homem. A história se espalhou por toda a cidade, e Genildo virou alvo de chacota de todo mundo, principalmente do seu sogro, Baltazar, que por onde passava contava a história.

Na cidade pequena, não se falava em outra coisa, só que Neguinho era “viado”, ninguém perdia uma oportunidade de tirar sarro do rapaz, até um surdo-mudo ao passar por ele gesticulava insinuando que ele teria feito sexo anal com outro homem. O desconforto de Genildo com a história era de conhecimento de todos, mas isso não impedia a galera de ‘zoar’ o rapaz.

Genildo também tinha um bar, intitulado “Bar do Iuri”, e era até então a sua principal fonte de renda, só que após a repercussão da história, ninguém queria frequentar o lugar que teoricamente seria frequentado apenas por gays.

Ao não suportar mais, ele passou a frequentemente ameaçar a família de Mônica de assassinato. Neguinho chegou a ir em uma funerária e encomendou um caixão para seu próprio funeral, caixão esse que nunca foi entregue. Também convidou os amigos para cavarem sua própria cova, eles abismados com a atitude dele, chamaram a polícia, que encontrou duas armas e duzentos cartuchos de munição com Genildo. Em 1997 – ano da tragédia – Genildo voltou a encomendar um caixão na funerária da cidade.

Ficou óbvio que uma tragédia estava anunciada, mas ninguém acreditava que Neguinho seria capaz de matar alguém. A perda precoce do filho e sua ‘honra masculina’ fragilizada após as piadas homofóbicas, mexeram completamente com a cabeça do rapaz.

Então chegou o dia 21 de maio, o dia que Neguinho tinha premeditado durante anos. Inspirado no personagem Rambo, estrelado por Sylvester Stallone, ele vendeu as coisas do seu bar e com o dinheiro fez o investimento em uma pistola 764, um revolver 38 e muita munição. Sua primeira vitima foi um taxista que namorava com sua ex-mulher, que também era uma das pessoas que costumavam fazer piadas sobre sua sexualidade. A morte do taxista foi estratégica, pois ele utilizou o seu carro para buscar algumas outras vítimas. VEJA AQUI E MATÉRIA COMPLETA

Senadinho SGA

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Chagas Silva