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sábado, 27 de abril de 2019

GOVERNO CONFIRMA QUE REDUZIRÁ RECURSOS PARA SOCIOLOGIA E FILOSOFIA

Imagem: Marcos Corrêa/PR
BR-POLITICA .-. O presidente Jair Bolsonaro elogiou a postura do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de propor a redução dos investimentos em cursos de áreas humanas, como filosofia e sociologia, para conseguir priorizar as faculdades que, nas palavras dele, “geram retorno de fato” — como “enfermagem, veterinária, engenharia e medicina”. O presidente disse que a ideia do governo é “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte”, direcionando os recursos financeiros para melhorar a qualidade de ensino dessas faculdades.


A proposta de Weintraub foi anunciada quinta e endossada ontem pelo presidente. O ministro fez o anúncio durante transmissão ao vivo pelo Facebook ao lado de Bolsonaro, mas não detalhou a dinâmica da mudança e limitou-se a dizer que os alunos atuais não serão afetados. Ele disse que a decisão foi inspirada em medidas semelhantes adotadas no Japão, na área de educação.

“O Japão, que é um país que está tirando dinheiro público do pagador de imposto, de faculdades para a pessoa que já é muito rica, como, por exemplo, filosofia (sic). Pode estudar filosofia? Pode, com dinheiro próprio”, disse o ministro da Educação, e mencionou sociologia como outro curso que poderia ter investimento menor.

Em mensagem no Twitter, Jair Bolsonaro foi além e incluiu a expressão “humanas” para mostrar que esse direcionamento de gastos pode incluir outras áreas de estudo. “A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta, e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”, escreveu, na rede social.

Para o ex-secretário de Segurança Pública e da Paz Social (SSP) do DF Arthur Trindade, formado em filosofia, a repercussão do tuíte de Bolsonaro foi negativa. “É uma área científica como as outras. O método, a teoria, tudo. Está presente em todas as universidades do mundo, inclusive nas principais, como Oxford e Harvard”, disse.
Sobre a inspiração nipônica na decisão de Abraham  Weitraub, Trindade diz que: “no Japão, aconteceu isso durante três anos. O que o ministro não disse é que, lá, teve uma reação enorme”. Na opinião do filósofo, “o governo tem uma tendência de gestão contra a intelectualidade”.

Professor de filosofia da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Carlos Saldanha explica que “não dá para mensurar o valor de um curso só pensando no uso prático. Engenheiro constrói prédios, médico salva vidas, mas filósofos pensam o mundo de forma embasada, para tirar dúvidas e melhorar o pensamento sobre diversos temas”.

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