sexta-feira, 17 de maio de 2019

PRESIDENTE DO BC DIZ QUE 'INCERTEZAS CONTINUAM NO AR' E ADIAM INVESTIMENTOS

'O investidor esperou, esperou e está esperando o momento', disse Roberto Campos Neto. Ele voltou a defender a necessidade de reformas para que essas incertezas diminuam.
Presidente do BC, Roberto Campos Neto, em audiência pública na Câmara dos Deputados — Foto: Alexandro Martello/G1
Por Alexandro Martello, Do G1 — Brasília


BR-ECONOMIA. -As incertezas continuam no ar e geram um adiamento nas decisões de investimentos, impactando o ritmo da economia, afirmou nesta quinta-feira (16) o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante audiência pública no Congresso Nacional.

Ele reafirmou que o mercado está aguardando a realização de reformas, não somente aquelas relacionadas com a contenção dos déficits nas contas públicas, para retomar os investimentos.

"A gente acha que a recuperação da atividade econômica foi parcialmente interrompida. As eleições acabaram sendo mais polarizadas. Quem tem dinheiro, espera. O investidor esperou, esperou e está esperando o momento [de investir]", declarou Campos Neto.

De acordo com sua análise, quando o governo Bolsonaro teve início, em janeiro deste ano, houve um "princípio de otimismo", mas acrescentou que "rapidamente o mercado entendeu" que o governo tem uma "trajetória fiscal" (rombos bilionários nas contas públicas) não compatível com essa crença.

"Não há um país com inflação baixa, juros baixos, e o fiscal desarrumado. O mercado está no processo de esperar as reformas, não só as fiscais [que têm impacto nas contas públicas, como a da Previdência Social], mas todas, como a tributária por exemplo, que gerem um ambiente melhor", declarou o presidente do Banco Central.

De acordo com Roberto Campos Neto, embora a "recuperação gradual da atividade econômica" tenha sido interrompida, o cenário básico do BC ainda contempla sua retomada "adiante".

O presidente do BC também afirmou que o Brasil não pode trocar inflação controlada por crescimento econômico. Segundo ele, essa estratégia já foi testada no passado e não funcionou, gerando recessão. "Ter inflação mais alta para ter um crescimento mais alta é errado", declarou, acrescentando que isso poderia gerar o chamado "vôo de galinha" (crescimento baixo e momentâneo).

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Chagas Silva