sábado, 9 de maio de 2020

DESCRENTE DO PERIGO DO COVID-19, PROFESSOR NÃO RESISTE A DOENÇA EM APODI, RN

RN-SAÚDE

 

A médica Jonsuellya Gurgel, que o atendeu sábado, dia 2, confirmou que a descrença do professor Gilmar na gravidade da doença foi de fato o maior problema. “Eu acredito que o maior problema foi que ele não acreditava na doença”.

 

Gilmar do Carmo de Carvalho, de 52 anos, era professor da Rede Estadual de Ensino, prestava serviços no Centro de Detenção Provisória de Apodi e era um amante do futebol. Ele, morreu na manhã desta sexta, 08, no hospital São Luiz, em Mossoró-RN, para onde foi transferido durante a madrugada para tratar de problemas nos rins causados pela doença.

 

“Uma pessoa teimosa,” assim definiu um dos parentes. “Ele saia na rua e não usava máscara, inclusive a gente da família ficava brigando com ele,” disse um sobrinho próximo. Uma das médicas que acompanhou o caso de perto, a Dr. Jonsuellya Gurgel, confirmou que a descrença de Gilmar na gravidade da doença foi de fato o maior problema.

 

“Eu acredito que o maior problema foi que ele não acreditava na doença, ele dizia que estava bem. A gente montou uns kits de medicamentos para entregar aos pacientes, eu entreguei um kit a ele, ele voltou pra mim com toda medicação. Ele pediu até desculpas e disse que não tomou a medicação porque achou que não estava doente,” informou a médica.  De acordo a família, Gilmar procurou atendimento médico na sexta-feira, 1° de maio, e no sábado, 2, em Apodi/RN.


Em nem um dos atendimentos ele precisou ficar internado. Foi somente na segunda, 4, que ele voltou ao hospital. Sem tomar os remédios e com a doença se agravando, ficou hospitalizado. De Apodi, Gilmar foi transferido para uma UTI em Pau dos Ferros/RN e na madrugada desta sexta para o Hospital em Mossoró, onde acabou morrendo.

 

Gilmar era casado, e além da esposa, deixa uma filha, 24 anos, e um filho, 26 anos.  Sem velório  A família, ainda sem acreditar no que aconteceu, não pôde dizer um último adeus. No sepultamento, que foi realizado ainda nesta sexta, 8, foi permitida a entrada de apenas dois familiares. O corpo saiu do hospital diretamente para o cemitério, sem velório. A despedida final foi somente para os dois filhos.

 

A teimosia não era a única característica. Para a família, Gilmar era também uma pessoa alegre, gostava de viver, não tinha vícios e estava muito bem de saúde antes da doença.  “Ele era uma pessoa alegre, gostava de futebol, não fumava e não apresentava nem um problema de saúde não,” informou o sobrinho.

 

Mossoró Hoje

 


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Chagas Silva

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